Garuva tem 15 sambaquis catalogados pelo IPHAN

Os maiores sambaquis do mundo situam-se no Estado de Santa Catarina e há registro de 15 sambaquis no município de Garuva, catalogados em 1972 e 1973 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), quando o município de Itapoá ainda pertencia a Garuva.

Sambaquis são montes compostos de moluscos (de origem marinha, terrestre ou de água salobra), esqueletos de seres pré-históricos, ossos humanos, conchas e utensílios feitos de pedra ou ossos. É resultado de ações humanas, ou seja, são montes artificiais, com dimensões e formas variadas.

Os sambaquis mais recentes possuem idade de mil e quinhentos anos, enquanto os mais antigos tem ao redor de oito mil anos. São, portanto, mais antigos, que as pirâmides do Egito.

Em 1961, a Lei nº 3924 veio proibir, em todo o território nacional, a destruição ou mutilação dos sambaquis. Infelizmente, porém, poderosos interesses econômicos e mesmo interesses políticos das prefeituras municipais prevaleceram, até hoje, sobre a lei e a cultura e os restos dos sambaquis acabam transformando-se em cal, adubos e corretivos de solo ou, ainda, são jogados, como saibros, no leito das estradas.

CONFIRA OS SAMBAQUIS CATALOGADOS PELO IPHAN NA REGIÃO DE GARUVA E ITAPOÁ

Na época em que foram catalogados, Itapoá ainda pertencia ao município de Garuva.

Sambaqui de Saí-Guaçu Sambaqui situado em terrenos de Tito Gava e João Gregório, junto à estrada que dá acesso ao Balneário de Itapoá. Possui 100 x 60 x 17 metros. Foi destruído 10% pela estrada, que cortou uma das extremidades do sambaqui.

Sambaqui de Jaguaruna I Sambaqui situado em terrenos de propriedade de Frederico Dácio de Souza, na localidade de Jaguaruna, a 200 metros da praia. Possui 60 metros de 134 diâmetro e 20 metros de altura. Foi destruído até a base pela Prefeitura Municipal, sendo as conchas utilizadas para a compactação de estradas.

Sambaqui de Jaguaruna II Sambaqui situado em terrenos de Arminda Padilha Silveira, na localidade de Jaguaruna, 150 metros da praia. Possui 60 x 10 x 2 metros e foi destruído 80% pela prefeitura municipal, sendo as conchas utilizadas para a compactação de estradas.

Sambaqui de Jaguaruna III Sambaqui situado em terrenos de Arminda Padilha da Silveira, na localidade de Jaguaruna, a 250 metros da praia. Possui 60 x 20 x 2 metros. Está intato e coberto de mata baixa.

Sambaqui de Jaguaruna IV Sambaqui situado em terrenos de Manoel Honório Maia, na localidade de Jaguaruna. Possui 20 x 10 x 2 metros e foi parcialmente destruído por particulares.

Sambaqui da Barra do Rio Saí-Mirim I Sambaqui situado em terrenos de João Conelseni e Waldemar Pereira, na localidade de Barra do Saí-Mirim, a 500 metros da praia. Possui 80 x 40 x 3 metros. Foi destruído 95% pela Prefeitura Municipal, sendo as conchas utilizadas para a compactação de estradas.

Sambaqui da Barra do Rio Saí-Mirim II Sambaqui situado na localidade de Barra do Saí-Mirim. Possui 50 metros de diâmetro e 5 metros de espessura. Foi recentemente destruído até a base e continuam ainda retirando conchas, para a compactação dos terreiros das casas dos veranistas

Sambaqui do Rio Saí-Mirim I Sambaqui situado em terrenos de Nazário Peres de Jesus, na localidade de Saí-Mirim, a 800 metros do Rio Saí-Mirim. Possui 100 x 70 x 20 metros, ainda de todo intacto, porque situa-se longe das vias de acesso.

Sambaqui do Rio Saí-Mirim II Sambaqui situado em terrenos de Nazareno Péricles de Jesus, na localidade de Saí-Mirim, não muito afastado do anterior, a 300 metros do rio. 135 Possui 30 x 15 x 2 metros. Antigamente havia lavouras sobre o sambaqui, atualmente acha-se coberto de mato. De resto intacto.

Sambaqui do Rio Sai-Mirim III Sambaqui situado em terrenos devolutos do falecido Antônio Davide, do lado esquerdo do Rio, a 60 metros da margem do rio. Fica, aproximadamente, a um quilômetro do Sambaqui do Rio Saí-Mirim I. Possui 100 x 40 x 6 metros. Acha-se intacto e coberto de mato.

Sambaqui do Rio Saí-Mirim IV Sambaqui situado em terras devolutas de Antônio Davide, vulgo Mosquito, já falecido, a 200 metros do Rio Saí-Mirim. Possui 80 x 50 x 4 metros. Antigamente havia lavouras sobre o sambaqui; atualmente acha-se coberto de mato. De resto ainda está intacto.

Sambaqui do Rio Braço do Norte do Rio Saí-Mirim I Sambaqui situado em terras devolutas, na mata a aproximadamente um quilômetro acima da desembocadura do Rio Braço do Norte do Saí-Mirim. Possui 90 x 80 x 8 metros, e acha-se coberto de mato. Conhecido, apenas de alguns caçadores e de todo intacto.

Sambaqui do Rio Braço do Norte do Rio Saí-Mirim II Sambaqui situado em terras devolutas, encostado ao Rio Braço do Norte. Para alcançar este sambaqui foi preciso caminhar uns quatro quilômetros a pé por picadas de mato, e depois remar por duas horas rio acima, abrindo caminho para a canoa por meio de foice. Possui 50 metros de diâmetro e 10 metros de altura. Antigamente havia lavoura sobre o sambaqui, mas de resto acha-se intacto e coberto de mato. É conhecido, apenas de alguns caçadores.

Sambaqui do Rio Braço do Norte do Rio Saí-Mirim III Sambaqui situado encostado ao Rio Braço do Norte. do lado esquerdo, um quilômetro, aproximadamente, acima do anterior, muito penoso de alcançar. Possui 30 x 15 x 3 metros. Intacto e coberto de mato. Conhecido, apenas de alguns caçadores.

Sambaqui de Jaguaruna V Sambaqui situado em terrenos de Miguel Silveira Santana e Antônio Maurício do Rosário, na localidade de Jaguaruna, a 20 metros do Rio Jaguaruna e a um quilômetro da Igreja da Localidade. Possui 70 x 40 x 6 136 metros. A Prefeitura Municipal mandou abrir estrada na mata, até o sambaqui, com o fim de aproveitar as conchas, para fins de compactação de estradas. Contudo, isto não se concretizou, e a estrada foi novamente invadida pela mata.

CURIOSIDADES

A pista do Aeroporto de Joinville foi compactada com conchas de um sambaqui. Todas as antigas estradas de acesso e do interior da Ilha de São Francisco do Sul foram lastradas com conchas de sambaquis. O mesmo se deu com as antigas estradas dos municípios catarinenses de Garuva, Araquari, Imbituba, Imarui, Laguna e Jaguaruna. Daí, podemos imaginar os tesouros imensos de material arqueológico que, desta maneira, foram levianamente desperdiçados e destruídos.

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