MONTE CRISTA

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Por: Maurício Baier

Subir o Monte Crista por uma lendária e antiga trilha de pedras e conhecer o extremo leste dos Campos do Quiriri era um projeto ousado que vinha provocando grande motivação na nossa crescente equipe de colaboradores. A aventura requer um cuidadoso planejamento. Fizemos duas reuniões para acertar todos os detalhes. As pesquisas prévias começaram com mais de 20 dias de antecedência, ainda no final de julho. O grande dia já estava marcado: 19 de agosto, véspera do aniversário de misteriosas inscrições monolíticas nos arredores da montanha…

As lendas sobre a região do Monte Crista são famosas e conhecidas internacionalmente. Temos registros de pelo menos três obras publicadas por escritores estrangeiros e que mencionam a misteriosa “Estrada Três Barras”, muitas vezes chamada erroneamente de “Trilha dos Jesuítas” ou Jesuitenweg.

O planejamento começa com base em fatores que não podem ser menosprezados: a trilha exige considerável esforço físico; é preciso estar preparado para adversidades do tempo, que são muito comuns nesta região; o isolamento da equipe enquanto permanecer na região próxima ao cume – a cerca de 4 horas de distância de qualquer auxílio – requer precauções especiais; e, finalmente, é quase indispensável acampar na região do Monte Crista por pelo menos uma noite. Subir e descer no mesmo dia representa um esforço demasiado e pouco tempo para explorar os mistérios da região.

Na véspera da expedição comemorávamos as previsões de bom tempo. Nossa maior preocupação agora estava ligada ao peso das mochilas. Embora tivéssemos lido uma reportagem recente em um jornal de Joinville que diziam que a trilha poderia ser percorrida por crianças a partir de seis anos, sabíamos que isso era puro devaneio. O grau de dificuldade e o fato de não estarmos na melhor forma física, inspirava todo tipo de precaução.

O grande dia chegou e ninguém no grupo era capaz de reprimir o frio no estômago, resultado da ansiedade pela grande aventura que estava começando. Marcamos a saída para as 5 horas da manhã e, curiosamente, ninguém se atrasou.

Rapidamente dividimos os pacotes onde acondicionamos os mantimentos (comprados coletivamente) e fizemos o check list das coisas mais importantes. Detectamos somente a falta de um rádio a pilha, que nosso companheiro André jurou não ter cabido em sua mochila. Estava tudo pronto…

Nosso grupo era composto por onze pessoas e optamos por alugar um carro para o transporte até o pé do morro. São aproximadamente 82 quilômetros, a partir do centro de São Bento. Descemos a serra Dona Francisca (SC-301) até a localidade de Pirabeiraba e tomamos a BR-101 no sentido Joinville-Curitiba.

A partir daí, rodamos mais alguns minutos e passamos pela balança desativada e a ponte sobre o rio Três Barras, já no município de Garuva. Neste ponto fazemos o retorno para entrar no acesso que leva a um parque aquático existente no local. São mais dois quilômetros de estrada de chão e chegamos no pequeno estacionamento diante de uma ponte pênsil sobre o rio.

É hora de checar novamente a distribuição da nossa carga e, finalmente, iniciar a caminhada. Nos despedimos do motorista, marcando o retorno para as 17 horas do dia seguinte.

Cruzamos a ponte e do outro lado paramos diante de um caminho pavimentado com lajotas – que leva ao parque aquático (é fácil se confundir aqui). É preciso dar a volta e passar por debaixo da ponte (bem perto do leito do rio) para achar o começo da trilha. Ali há uma placa com um rústico mapa e alguns conselhos, entre eles o de que a ponte que acabamos de cruzar suporta no máximo cinco pessoas de cada vez: passamos em onze e com “toneladas” de carga…

A descontração, enquanto colocávamos em cheque a inteligência de quem pôs a placa depois da ponte, aliviou a tensão e enveredamos pela trilha que logo a seguir oferece uma primeira visão do Monte Crista. As três pontas, justamente em forma de crista, estão a 900 metros de altitude. Neste momento estamos quase ao nível do mar (10 m de altitude, para ser exato). A cena é fantástica e foi completada pela presença da lua bem acima do triplo cume.

Outro momento de gargalhadas. Nosso grande amigo Francisco Gruber, o Chico, logo após a ponte, havia tomado uma cápsula de guaraná para “energizar” seu performance. Minutos depois, quando viu o Monte Crista ao longe, parou estarrecido e exclamou em tom sério: “Meu Deus, vou precisar de mais uma dose”!

O relógio marca 7h15min e seguimos em frente. Laércio, nosso guia, conta que é a sua sétima vez aqui e explica que vamos caminhar contornando a base do morro por pelo menos uma hora, antes de começar a subida propriamente dita. As místicas escadarias de pedra também estão longe.

A trilha é úmida, barrenta, mas não exige muito do caminhante. Vamos aos poucos nos acostumando ao peso das mochilas e nos livrando das blusas e jaquetas. A temperatura está subindo e o céu magistralmente azul. Passamos por uma construção abandonada e cruzamos sem dificuldades o rio Crista um pouco acima de seu encontro com o Três Barras.

Mais adiante vamos cruzando pequenos riachos, valas pluviais naturais, olhos d´água, tudo isso em meio a vegetação típica de Serra do Mar. A turma continua animada, embora saiba que a parte mais crítica se aproxima.

Me vem à mente um trecho da obra “A Conquista do Planalto Catarinense” do historiador Cyro Ehlke (Laudes, 1973): “a velha estrada Três Barras era penosíssima de transitar e corrida por entre as escarpas e sinuosidades da abrupta e brumosa Serra do Mar. Era aí, propriamente, que as dificuldades mais se acentuavam, pois havia um difícil trajeto de cerca de meia légua (pouco mais de 3 quilômetros) no qual as cargas eram conduzidas às costas, pelos almocreves e auxiliares, circunstância essa que tornavam raríssimas as comunicações por essa via”…

Nada animador, é verdade, mas a curiosidade nos estimula a continuar. Nossa preocupação, nesse momento, está voltada com a memorização da trilha correta. A título de orientação a quem queira repetir a aventura, nas três bifurcações que encontramos antes das escadarias, viramos à esquerda. Mesmo assim, é importante frisar que a presença de um guia experiente ajuda muito.

Já passava das 9h30min quando finalmente encontramos os primeiros vestígios da pavimentação que recobre boa parte da “Estrada Três Barras”. As rochas se encaixam perfeitamente, formando um caminho de pequenos degraus e rampas sempre respeitando a largura exata de 16 palmos.

A aclividade vai aumentando e seguimos em ritmo mais lento e silencioso, poupando as energias e parando várias vezes para descansar.

Sem querer evocar o grande número de lendas e histórias desta região, é digno de registro que pelo menos três membros da equipe manifestaram a sensação de estarem sendo observados (alguns são fãs de carteirinha do Arquivo X).

História estranhas não faltam sobre o Monte Crista, a velha estrada e os Campos de Ambrósios (atualmente também conhecidos por Campos do Quiriri). Vários guias com quem eu havia conversado contaram ser comum encontrar depois do Monte Crista acampamentos inteiros abandonados. Também não são poucos os relatos dos avistamentos de fenômenos estranhos, alguns de pessoas que hoje têm mais de 80 anos.

Nesta faceta mística da região encaixa-se a obra do cientista norte-americano Dr. Raymond Bernard. No livro “A Terra Oca” (Nova Era, 1969), ele defende que há nos confins subterrâneos do planeta uma verdadeira base de discos voadores, cujas entradas são aberturas nos pólos e em alguns outros pontos da terra, entre eles as imediações do Monte Crista na região de Joinville. Segundo Dr. Bernard, no fundo da terra vive uma super-raça que não deseja manter contato com o homem, mas foi obrigada a lançar seus objetos voadores quando o planeta foi ameaçado pela tecnologia nuclear.

Um trecho do “A Terra Oca” é especialmente curioso e menciona uma literatura antiga que faço questão de reproduzir na íntegra: “Um dos primitivos colonos alemães de Santa Catarina, no Brasil, escreveu e publicou um livro em alemão antigo, tratando do mundo subterrâneo e baseando-se para isto em informações dos índios. O livro descreveu a Terra como sendo oca, com um sol em seu centro. O interior da Terra foi dito ser habitado por uma raça de frugívoros, livres de doenças, e de vida muita longa. Esse mundo subterrâneo, o livro afirmava, era ligado à superfície por túneis, que se abriam principalmente em Santa Catarina e regiões limítrofes do Sul do Brasil. O autor dedicou quase seis anos de investigações ao estudo dos túneis misteriosos que se entrelaçam sob Santa Catarina, construídos obviamente por uma raça antiga, a fim de alcançar as cidades subterrâneas. As pesquisas ainda estão em andamento. Numa montanha, perto de Joinville (o Monte Crista), o canto coral dos homens e mulheres atlantes tem sido ouvido repetidamente – também o ‘canto do galo’ que é a indicação da existência da abertura de um túnel que conduz a uma cidade subterrânea. O canto não é produzido por um animal, mas por alguma máquina.”

Dr. Raymond defende ainda em seu livro que os discos voadores vindos das profundezas, também poderiam usar túneis em outras regiões além dos pólos. Essa informação, pelo menos coincide com o grande número de relatos de avistamento de OVNIS, especialmente nos campos – um pouco acima do ponto onde vamos acampar.

Outros relatos místicos, alguns bem antigos, dão conta de aparições estranhas de vultos, pássaros que se transformam em folhas de árvores, chuva de granizo sem nenhuma nuvem no céu, ruídos estranhos especialmente durante a noite, e trilhas e cavernas que parecem mudar de lugar, ou serem perfeitamente camufladas a ponto de não serem encontradas uma segunda vez.

Como bem se pode imaginar não eram poucas as idéias que se passavam nas nossas cabeças, enquanto íamos subindo a escadaria de pedra quase em absoluto silêncio. Nos dias atuais esse caminho é mais conhecido por “Trilha dos Jesuítas”, mas o nome não lhe condiz. Essa denominação é baseada na suposição de que missionários jesuítas espanhóis teriam passado por estes caminhos em demanda às missões no Paraguai. Segundo o historiador Cyro Ehlke não há nenhuma base história para supor tal coisa.

A primeira referência oficial sobre a trilha cita a existência já em 1600 da a ligação entre São Francisco e o planalto curitibano, e é de autoria do Major Manoel Joaquim d´Almeida Coelho na obra “Memória Histórica da Província de Santa Catarina”, editada em 1856.

Muitos pesquisadores antigos relacionavam a Estrada Três Barras a uma ramificação do caminho indígena conhecido por Peabiru, mas também não existem evidências mais claras, nem tampouco confirmações históricas.

Conta-se ainda que a trilha entre São Francisco e Ambrósios (Campos do Quiriri) serviu, em 1777, para a retirada das força portuguesas quando da invasão espanhola.

Em 1807 há outro relato importante: o viajante e mineralogista inglês, John Mawe passou pela antiga estrada e dedicou a ela parte de sua obra “Travels in The Interior of Brasil” (London, 1812).

Existem vários relatos históricos de uso da Estrada Três Barras e o Caminho de Ambrósio como rota comercial para mantimentos que eram levados no lombo de burros. No entanto essa forma rudimentar de “tropeirismo” desapareceu destas paragens com a construção da Estrada Imperial Dona Francisca ligando Joinville a Campo Alegre, São Bento do Sul, Rio Negrinho e Mafra.

Nosso relógio marcava 11h10min quando, já em altitude bastante elevada, chegamos a um mirante que permite a primeira visão de boa parte da serra e da cidade de Joinville ao fundo. Ainda estamos há cerca de uma hora ou mais do topo do Monte Crista e aqui fazemos uma parada mais demorada para descanso. A última hora foi especialmente desgastante, mas a turma é unânime em afirmar que só vir até aqui já valeu a pena.

Um acesso à esquerda, leva ao mirante natural formado por uma grande rocha. Na parte inferior, um pequeno grupo pode até acampar. Pela lateral é possível subi-la para um vista melhor. Ao norte podemos avistar novamente o nosso desafio e a grande pedra que simboliza um homem sentado. Ao sul já vemos Joinville, uma parte da BR-101 e um trecho da SC-301 à sudeste.

Seguimos o caminho, agora já bem perto do nosso objetivo e saboreando uma sensação de vitória por antecipação. Logo após o mirante, subindo mais um pouco há uma bica d´água do lado direito. É o último abastecimento do precioso líquido antes de chegarmos o local onde vamos acampar – adiante do monte.

Depois de mais 30 minutos de caminhada, estamos no ponto onde vamos abandonar a trilha e subir a última parte do Monte Crista. O trajeto agora é bem mais íngreme e exige mais cuidado, especialmente na primeira parte.

Nosso grupo vai seguindo lentamente, alguns de nós parando várias vezes para descansar. O trecho, que inicialmente parecia curto, agora parece não ter mais fim até que finalmente estamos a ponto de vencer o último lance para estar no topo. Nosso guia avisa que já podemos nos livrar das mochilas e, atendendo prontamente, subimos a última parte quase sem fôlego.

Nenhuma palavra, nenhuma descrição pode passar a idéia exata do que se vê no topo do morro e do que se sente diante de um cenário tão deslumbrante. Basta citar que do quadrante nordeste vemos praias do litoral sul do Paraná. Olhado para Sul em relação à nossa posição vemos Joinville e ao fundo a praia de Barra Velha. Só as imagens podem dar uma idéia mais próxima da vista:

Sem palavras, contemplamos a vista por quase uma hora. Aproveitamos também a parada para almoçar e em poucos minutos devoramos nossos estoques de sanduíches.

O monte está repleto formações monolíticas de grandes dimensões. Mas nem todas são monolíticos, como o caso da formação apelidada de “o homem sentando”. Ela é constituída de pelo menos três partes visíveis e que parecem se encaixar perfeitamente.

Outras formações nos deixaram intrigados. Lembram muito as famosas estátuas monolíticas da ilha de Páscoa. Uma parece mais acabada, enquanto que outra parece ser a parte superior da face de uma delas.

Algumas rochas encontram-se no estado de “equilíbrio precário”, que segundo os especialistas, são indicativos de longos períodos de calmaria sísmica.

Em tudo parece haver alguma forma de intervenção humana. Pelo menos é lícito admitir que as rochas estão em uma estranha disposição de frente para o poente.

Talvez uma vistoria noturna pudesse revelar alguma relação astrológica bem ao estilo Stonehenge, já que à meia noite teremos a passagem para a data que consta em estranhas inscrições mais abaixo do cume (20 de agosto). Infelizmente não tivemos forças para uma segunda escalada no mesmo dia…

Depois de uma última boa olhada em todas as direções, iniciamos lentamente o caminho para o local onde vamos passar a noite. Agora fazemos uma volta pela face norte do Monte Crista para retornar à Estrada Três Barras mais a frente, passando antes pelas inscrições misteriosas.

Caminhamos mais uma meia hora arrastando as mochilas que parecem cada vez mais pesadas e estamos diante da famosa inscrição.

A primeira coisa que chama a atenção é a data grafada na parte superior: dia 20 de agosto de 1039. Nota-se pela grafia do número “2” um estilo diferente do usual, que lembra o gótico. Abaixo da data há uma espécie de espiral entrecortada por várias perfurações que parecem querer simbolizar alguma coisa em especial. Mais abaixo ainda estão duas setas, em sentidos contrários e visivelmente relacionadas as letras “E” e “L”. Outras linhas estão dispersas em partes do enigmático desenho sem uma aparente relação.

Seria uma representação da posição sagrada dos monolíticos em torno do Monte Crista? Mas e a data, aparentemente grafada na mesma época, é obra do mesmo autor, ou trata-se de uma fraude de algum engraçadinho?  Intrigou-me o estilo do algarismo “dois”, grafado com um certo estilo antigo…

Ou seriam os pontos a demarcação da localização das misteriosas cavernas de que tanto se tem falado? Indicariam as linhas espirais a trilha que percorremos?

Considerando que as letras e números sejam originais das inscrições, então como se pode justificar a espantosa presença nestas paragens de alguém que conhecia alfabeto e algarismos em 1039?

Alguns metros ao norte desta pedra, está outra com uma inscrição que lembra uma cruz. Ela está esculpida em menor profundidade e não tem mais que uns 20 cm de altura. Em sua volta há muitos fragmentos de rocha derretida.

O mistério continua e sem um estudo apropriado e dirigido por especialistas, dificilmente teremos alguma chance de chegar a bom termo na interpretação do enigma.

No lado sul da velha inscrição está a entrada de uma caverna, que não parece ser muito profunda. Precisaríamos de cordas e equipamento adequado para entrar nela (estamos certos de que voltaremos para uma exploração mais apurada). Detalhe: mesmo guardando silêncio total, não ouvimos as tais “máquinas atlantes”…

Continuamos nosso caminho e agora voltamos a trilha original (a estrada Três Barras), ainda pavimentada de pedras. Totalizando quase 15 quilômetros de caminhada, chegamos ao local do acampamento, próximo a um córrego de águas cristalinas e no cume de uma colina que permitia uma visão perfeita de Joinville ao sul. Um espetáculo, especialmente à noite.

Com trabalho em equipe, em pouco tempo o acampamento estava todo estruturado. Encontramos em colinas próximas outros grupos de excursionistas de Joinville. Um deles declarou-nos ser sua 14ª visita ao Monte Crista.

Em uma colina imediatamente atrás de onde estávamos, encontramos um acampamento abandonado. Lona, mochila, tênis, garrafas plásticas e roupas, tudo espalhado. Teriam visto algo estranho e fugiram deixando tudo para trás? Nossa conclusão foi mais simples: deveria se tratar de sujeitos sem consciência ecológica e que quiseram diminuir o peso da carga na descida, deixando o que podia ser jogado fora. Claro que a primeira hipótese não chegou a ser totalmente descartada por alguns membros do nosso grupo…

Um detalhe que chamou a nossa atenção é a brusca queda de temperatura logo após o por do sol. Os termômetros desceram pelo menos cinco graus em menos de meia hora!

Na manhã do domingo, dia 20, notamos com espanto que as partes mais baixas, em volta colina onde acampamos estavam cobertas de gelo. Havia geado forte por aqui. Quando descemos até o riacho para encher uma chaleira de água, notamos a grande diferença de temperatura também em uma pequena distância percorrida e com uma variação de altiude de uns 20 metros no máximo.

Recuperada com a restauradora noite de sono, nossa equipe seguiu a trilha por mais meia hora para chegar ao rio Três Barras. A água é incrivelmente cristalina e corre “sobre e sob” o que outrora foi um rio de lavas.

No rio, outros mistérios estão encerrados. Além do mito de que um burro de carga afundou com boa quantidade de ouro há mais de 200 anos, há uma espécie de escada talhada na pedra e inscrições que representam formas retangulares. É preciso sair da trilha principal e descer o leito do rio. Há varias piscinas convidativas a um bom banho.

Depois de retornar ao acampamento, fizemos mais uma refeição reforçada a base de feijão enlatado, e iniciamos os preparativos para a descida que demorou exatas quatro horas. Tudo transcorreu sem problemas.

Da caminhada de retorno, vale ainda registrar que – observando melhor a pavimentação da trilha – conseguimos encontrar nítidos vestígios de perfurações em algumas pedras. Lembram um dos processos para dividir rochas ao meio, e que começa um com uma perfuração passando mais ou menos pelo centro geométrico. Mas, apesar de ser um indício de construção mais recente, ou quem sabe de alguma manutenção da velha estrada, não explica satisfatoriamente a sua existência. Nem mesmo os historiadores conseguiram fazê-lo.

A exaustão provocada pelo grande desgaste físico ainda era sentida dias depois até pelos mais preparados do grupo. No entanto, os onze declararam com toda convicção: “o esforço vale a pena e um dia repetiremos essa aventura”.

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